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Crime brutal em condomínio de luxo: o menino
de 4 anos degolado pela babá em Salvador |
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Crime
teve frieza na execução, comoção pública e reviravoltas. |
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29/05/2026 |
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(Correio)
- O assassinato do menino Leonardo Mesquita
Carvalho, 4 anos, é um dos crimes mais chocantes
da história policial da Bahia. Na manhã de 20
de janeiro de 1997, dentro de uma casa no Condomínio
Stella Maris, em Salvador, a criança foi degolada
pela própria babá, a empregada doméstica Marineide
Bastos Nascimento, 20.
O caso
provocou horror pela brutalidade, pela frieza
da autora confessa e, posteriormente, pela reação
inesperada dos pais da vítima, que decidiram
perdoá-la. O crime aconteceu enquanto os pais
de Léo, os advogados José Marcos de Souza Carvalho
e Rosa Maria Ribeiro de Mesquita, trabalhavam.
Em casa, estavam apenas o garoto, a irmã mais
velha, uma tia grávida e Marineide, considerada
até então pessoa de confiança da família. Segundo
a investigação, o menino assistia televisão
sentado no sofá e comia biscoitos quando foi
atacado. A própria Marineide descreveu o assassinato
com riqueza de detalhes logo após ser presa.
“Dei um travesseiro
para ele, beijei, abracei. Só depois peguei
a faca na gaveta da cozinha, coloquei ele no
chão e separei o pescoço do corpo”,
declarou na 12ª Delegacia, em Itapuã. Depois
do crime, ela saiu para comprar cigarros e retornou
à residência, onde permaneceu fumando até ser
localizada pela polícia.
Premeditação e cena de
horror
A investigação concluiu rapidamente que o assassinato
havia sido planejado. Antes do ataque, Marineide
cortou os fios do telefone e desligou a energia
elétrica da casa. A faca utilizada havia sido
afiada dias antes pelo próprio pai da criança,
a pedido dela.
Dentro da residência, as marcas de sangue indicavam
que Léo foi inicialmente golpeado enquanto estava
no sofá. A perícia apontou ainda que o menino
tentou se defender. O laudo revelou múltiplos
ferimentos no pescoço, uma lesão na mão esquerda
— provocada ao segurar a lâmina — e uma perfuração
próxima ao tórax.
A tia da criança, grávida de sete meses, acordou
com os gritos e encontrou o sobrinho já ferido.
Em desespero, saiu correndo pelo condomínio
gritando: “Mataram Léo, mataram Léo”. Pouco
depois, um porteiro acionado pela mãe do garoto
confirmou a tragédia.
O delegado Roberto Habib, então regional de
Porto Seguro e morador do condomínio, participou
da prisão da empregada, localizada escondida
em um quarto nos fundos da casa. |
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Confissões
contraditórias
Nas primeiras horas após o crime, Marineide
demonstrou frieza. “Ele estava quietinho, sentado
no sofá, e nem gritou muito”, afirmou. Em outro
momento, declarou que pretendia matar o patrão,
mas acabou descontando a raiva na criança. “Era
para ter feito com o meu patrão”, disse.
A
motivação do assassinato passou a ser alvo de
controvérsia. Inicialmente, a polícia sustentou
que o crime havia sido cometido por vingança,
após conflitos envolvendo a possibilidade de
a empregada deixar a casa e retornar ao interior,
em Cícero Dantas.
Com o passar dos dias, porém, surgiram novas
versões. Marineide passou a insinuar maus-tratos
e um suposto envolvimento emocional com José
Marcos. “Fiquei com raiva de ‘Marquinho’ porque
ele viajou e voltou com a mulher”, declarou
dias depois, já no Presídio Feminino.
Familiares da empregada também levantaram suspeitas
sobre a relação dela com o advogado. Uma tia
afirmou considerar “estranha” a intimidade entre
patrão e funcionária. Já Marineide alternava
entre acusações, arrependimento e declarações
desconexas, chegando a afirmar que recebia ameaças
de morte do patrão.
A sucessão de falas contraditórias fortaleceu
a hipótese de distúrbio mental. A delegada Kátia
Maria Alves apontava sinais de insanidade ainda
durante os interrogatórios. “Ela ficou muito
tempo comigo e depois não lembrava quem eu era”,
afirmou à época.
Comoção e revolta
O crime provocou forte comoção em Salvador.
O enterro do menino, realizado no Cemitério
Campo Santo, reuniu familiares, amigos e colegas
do casal de advogados. A mãe da criança precisou
ser amparada durante todo o cortejo. “Quero
meu filho que amo tanto”, repetia.
O momento mais dramático ocorreu quando o caixão
foi colocado na gaveta do cemitério. Em estado
de choque, Rosa Maria chorava: “Léo, meu filho,
agora você vai ficar aí”.
Nas ruas, o caso despertava indignação. Vizinhos
descreviam o menino como “tranquilo e alegre”
e não conseguiam compreender a violência do
assassinato. “Essa mulher só pode ser louca”,
comentou um morador do condomínio à época.
O perdão dos pais
Dias depois da tragédia, o caso ganhou um novo
elemento que chocou a opinião pública: os pais
de Leonardo decidiram perdoar a assassina. Durante
depoimento na delegacia, José Marcos afirmou
que não pretendia “jogar pedras” em Marineide.
“Não vamos agora sacrificar a pobre coitada
porque cometeu um deslize num dia de loucura”,
declarou.
O casal sustentava que a empregada sofria de
problemas mentais e dizia que ela havia tratado
o menino “como um filho” durante os dois anos
em que trabalhou para a família. A postura dividiu
opiniões e gerou intenso debate público. Enquanto
algumas pessoas viam a atitude como um gesto
cristão, outras desconfiavam das circunstâncias
da relação entre patrão e empregada.
Em entrevistas posteriores, Marineide afirmou
ter desenvolvido sentimentos pelo advogado e
demonstrava confusão emocional constante. Relatava
perseguições, agressões e episódios delirantes.
Internação psiquiátrica
O inquérito foi concluído pela polícia como
homicídio qualificado por motivo torpe e com
requintes de perversidade. No entanto, exames
psiquiátricos apontaram que Marineide sofria
de distúrbios mentais graves.
Ela acabou considerada inimputável pela Justiça
e foi internada no Hospital de Custódia e Tratamento,
antigo Manicômio Judiciário, onde permaneceu
sob tratamento psiquiátrico.
Uma reportagem publicada pelo CORREIO em 2000
revelou que a ex-babá apresentava quadro de
paranoia delirante. À época, já havia possibilidade
de retorno ao convívio familiar em Cícero Dantas,
condicionado a avaliações médicas periódicas.
Não há registros do caso após isso.
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Babá
foi presa por degolar menino de 4 anos por Almiro
Lopes/Arquivo CORREIO |
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Fonte:
Correio 24 Horas, publicado em 29 de maio de 2026 |
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Foto:
Reprodução / Divulgação |
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Informações:
Tel. (75) 99119-9017
(WhatsApp) |
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