Bruna Garcia
teria envenenado Victor Murad Crédito: Reprodução/Fantástico
Secretária é presa por envenenar médico em clínica
para esconder desvio de R$ 544 mil
MP
aponta uso de arsênio misturado na comida por
15 meses
24/02/2026
(Correio)
- Uma secretária é investigada por suspeita
de envenenar um cardiologista para esconder
desvios feitos dentro de uma clínica no Espírito
Santo. A vítima é Victor Murad, 90 anos. De
acordo com informações do Fantástico, a investigação
do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES)
aponta que a responsável seria a secretária
de confiança do médico, Bruna Garcia.
Ela
é suspeita de desviar mais de meio milhão de
reais ao longo dos últimos anos. Bruna trabalhava
com Murad desde 2013 e tinha uma relação antiga
com a família do profissional — a mãe dela atuou
ao lado do cardiologista por cerca de duas décadas.
Por causa desse vínculo, ela administrava as
finanças do médico, que não utilizava ferramentas
digitais como o PIX.
"Confiava cegamente nela, foi esse meu
mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer
um. É uma serpente", declarou Murad em
entrevista ao Fantástico. Segundo o MP-ES, os
desvios somaram R$ 544 mil em um período de
12 anos. O dinheiro, conforme a apuração, teria
sido usado para manter um padrão de vida elevado,
com viagens internacionais, incluindo passagens
pela Disney e hotéis de luxo.
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de Ipirá
A
suspeita de crime surgiu após a demissão de
Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco
com arsênio escondido em um depósito do local
no ano passado. Bruna Garcia está presa desde
outubro e deve ser submetida a júri popular
por tentativa de homicídio qualificado.
Desvios e veneno
A promotoria detalha que os desvios eram feitos
em valores fracionados para evitar suspeitas.
"Eram valores de três, quatro, até dez
mil reais. Às vezes duas, três transferências
no mesmo dia", descreveu o MO. Para os
investigadores, o envenenamento teria começado
quando a possibilidade de descoberta das fraudes
financeiras se tornou iminente.
A suspeita é de que o uso de arsênio serviria
como forma de desviar o foco das irregularidades
e, eventualmente, eliminar a vítima. Durante
esse período, Murad passou a apresentar sintomas
graves e de difícil explicação clínica: dores
intensas, episódios de vômito com sangue, anemia
profunda, fraqueza nas pernas e agravamento
dos tremores e da rigidez associados à doença
de Parkinson.
Conforme
a polícia, o veneno era misturado à comida e
até à água de coco servidas na clínica. Com
o estado de saúde debilitado, o cardiologista
encerrou as atividades do consultório que mantinha
havia mais de 30 anos.
A suspeita de crime surgiu após a demissão de
Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco
com arsênio escondido em um depósito do local.
A investigação também identificou que o produto
tóxico foi adquirido em nome do marido da secretária.
Ele chegou a ser alvo de apuração, mas a polícia
concluiu que não havia indícios de que soubesse
do uso dos seus dados para a compra.
A
defesa sustenta que não há prova direta de que
ela tenha administrado o veneno. Sobre os valores
movimentados, os advogados alegam que todas
as transações financeiras eram de conhecimento
do médico e contavam com autorização dele.