Rhavenna, Nivaldo e Orminda são investigados por crimes
com o CV Crédito: Reprodução
Família de pastores vira alvo de operação por
usar visitas religiosas em presídio para atuar
pelo Comando Vermelho
Investigados
teriam transmitido recados, movimentado recursos
e mantido contato com integrantes da facção
14/09/2026
(Correio) - A Polícia Civil de Mato Grosso investiga
três integrantes de uma família de missionários
suspeitos de usar a atuação religiosa em presídios
para manter vínculos com o Comando Vermelho
(CV).
Segundo os investigadores, Rhavenna Barcelos
de Almeida e seus pais, os pastores Nivaldo
e Orminda de Almeida, teriam mantido contato
com integrantes da facção, movimentado dinheiro
e ajudado a ocultar recursos ligados ao tráfico
de drogas, segundo reportagem do Fantástico.
A família integrava um grupo autorizado pelo
governo estadual a prestar assistência religiosa
em unidades prisionais. A investigação teve
início após uma denúncia sobre a suposta ligação
dos três com a organização criminosa. De acordo
com a polícia, eles teriam se aproveitado da
entrada na Penitenciária Central do Estado,
em Cuiabá, para se aproximar de detentos apontados
como lideranças do grupo
Os investigadores afirmam que os suspeitos repassavam
mensagens e cediam contas bancárias para movimentações
financeiras. Materiais reunidos com autorização
judicial — entre eles conversas, imagens, vídeos
e áudios — indicariam proximidade entre Rhavenna
e integrantes da facção. Parte dos registros
mostra a investigada com armas, dinheiro, joias
e veículos de luxo, segundo a polícia.
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de Ipirá
Um
dos nomes citados no inquérito é Jonas Souza
Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado
pelos investigadores como uma das lideranças
do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Ele cumpria pena na mesma penitenciária frequentada
pela família. Em setembro de 2024, recebeu autorização
para cumprir pena no semiaberto, mas teria rompido
a tornozeleira eletrônica dias depois e fugido
para o Rio de Janeiro.
Conforme
a apuração, Rhavenna mantinha contato frequente
com Batman e sabia onde ele estava escondido.
Mensagens analisadas pela polícia incluiriam
compartilhamentos de localização e conversas
sobre operações no Complexo do Alemão.
Os investigadores também afirmam que os dois
tinham um relacionamento amoroso e que a mulher
viajava ao Rio de Janeiro para encontrá-lo,
com despesas de lazer supostamente custeadas
pelo grupo criminoso. Um Porsche avaliado em
cerca de R$ 600 mil, exibido por ela nas redes
sociais, seria do suspeito, segundo a polícia.
A investigação alcançou ainda outras mulheres
que entravam em presídios para prestar assistência
religiosa. De acordo com a Delegacia de Repressão
às Ações Criminosas Organizadas (Draco), algumas
delas teriam mantido relacionamentos com traficantes
e apresentado informações falsas em depoimentos,
sendo indiciadas por falso testemunho. As suspeitas
descritas pela polícia ainda dependem de apuração
e de análise pela Justiça.