Conhecedor, incentivador e criador de cabras e
ovelhas, Barbeirinho (como é conhecido) tem participado
de feiras e exposições voltadas a criação de caprinos
e ovinos em todo o país. "Uma das principais
alternativas para produtores do semi-árido brasileiro
é a criação de caprinos e ovinos. É preciso que
seja feito trabalho educativo de manejo para que
o criador saiba a melhor forma de cuidar do animal
e de aproveitar o que ele tem a oferecer, tem
que haver incentivo e esclarecimentos ao produtor,
que está acostumado a criar gado, e do consumidor,
que ainda resiste aos produtos do rebanho caprino.
Com uma grande importância econômica e social,
esses animais podem ser utilizados para o consumo
das famílias, podendo ainda serem comercializados
com facilidade nos mercados regionais", argumenta
ele.
Barbeirinho ressalta a importância da pecuária
alternativa com cabras e ovelhas, que exigem menos
custo com pastagem, gera emprego e divisas no
campo, levando-se ainda em conta as propriedades
nutritivas do leite de cabra e o valor agregado
na criação, que além do leite, tem outro componente
de valor: o preço da carne, muito apreciada nos
restaurantes e hotéis mais requintados. Da carne
de cabra podem ser produzidos linguiça, salame,
almôndega e hambúrguer. O processamento da carne
de caprinos e ovinos, para a produção de embutidos
e defumados, é uma boa oportunidade de agregação
de valor com uso de tecnologia de baixo custo
e pequenos investimentos
A criação de cabras pode ser mais vantajosa que
a de bovinos, porque o retorno do investimento
é mais rápido. As cabras são animais de grande
rusticidade, se desenvolvendo em qualquer lugar
e sob as mais duras condições como, por exemplo,
nas zonas sujeitas às grandes secas, como acontece
em Ipirá e em todo o nordeste do Brasil.
O período de gestação das cabras é menor do que
o das vacas. As cabras leiteiras reproduzem-se
rapidamente. Elas podem parir duas vezes por ano,
muitas vezes de dois e três cabritinhos.
O leite de uma cabra leiteira pode ser vendido
a um preço três vezes superior ao de uma vaca
leiteira e contém o dobro de vitamina A – essencial
para um bom crescimento das crianças, especialmente
no que respeita à prevenção de doenças oftálmicas.
O leite é reputado como um dos melhores, sendo
rico em gordura, proteína, minerais como cálcio,
fósforo e ferro e, ainda, vitaminas A, C, B, entre
outras.
O leite pode ser transformado em queijo, iogurte
e doce. O teor de gordura e de proteínas do leite
de cabra é digerido mais facilmente do que o do
leite de vaca, pode ser muito benéfico para pessoas
que têm úlceras do estômago e constitui uma excelente
alternativa para quem é alérgico ao leite de vaca.
As cabras fêmeas mais idosas e os machos excedentes
podem ser abatidos ou pode-se vender a sua carne.
As cabras são mais rústicas e resistentes a doenças,
praticamente, não contraindo a tuberculose.
As cabras podem alimentar-se de arbustos que não
servem de alimento para outros animais.
Os bodes de raça leiteira podem ser utilizados
para cobrir as fêmeas que se encontram nas suas
redondezas, ajudando a gerar receitas suplementares.
"Espero que possamos ampliar o número de
criadores e o rebanho. Pode-se criar áreas de
fabricação de produtos pasteurizados para combater
a desnutrição infantil. O leite poderá ser usados
nas merendas escolares e na alimentação servida
nos restaurantes. Produtores de caprinos, organizados
em associações, podem conduzir pequenas agroindústrias
de beneficiamento de leite de cabra para a produção
de iogurte, doce-de-leite e comercialização do
leite pasteurizado", concluiu Barbeirinho.
"A Cabra é a Vaca do Pobre" (Barbeirinho)
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