Aconteceu,
na manha desta terça-feira, dia 08, uma importante
caminhada pelo centro de Ipirá-BA. O ato foi uma
manifestação dos deficientes físicos e seus familiares.
O projeto é uma iniciativa do Conselho Municipal
das Pessoas com Deficiência de Ipirá – COMPEDE
e contou com o apoio da Secretaria Municipal de
Assistência Social de Ipirá.
Os manifestantes saíram por volta das nove horas
da manhã do Colégio José Saint’ Clair e foram
até a Praça Roberto Cintra, na região central
da cidade, onde discursaram, recitaram poesias
e fizeram exposição de artes com trabalhos realizados
pelos próprios deficientes.
O evento contou com a presença da secretária de
Educação, Maria Vanda Barreto; presidente da Associação
ipiraense dos deficientes físicos (AIDEF), Valdenor
Oliveira; representantes da Secretaria de Assistência
Social, representantes de entidades, convidados,
além de outros representantes de instituições.
O objetivos da caminhada é lembrar o Dia Internacional
da pessoa com Deficiência e alertar a população
sobre os direitos dos deficientes físicos de transitar
com autonomia nos espaços públicos e particulares
de uso coletivo e a importância de garantir-lhes
a apreciação plena dos direitos e o prazer de
ir e vir.
Para Valdenor Oliveira, o preconceito, a dificuldade
da falta de transportes e o descaso das pessoas
no dia-a-dia. Esses são os principais obstáculos
que os portadores de deficiência têm que enfrentar.
“Queremos chamar a atenção da sociedade, mostrar
para as deficiências e limitações destes grupos,
mostrar que o deficiente precisa ser respeitado,
inclusive dando a oportunidade para que uma pessoa
em normais condições físicas possa sentir, na
prática, algumas das dificuldades enfrentadas
pelos portadores de deficiência. Apesar de a maioria
ter plena condição de trabalho e de levar uma
vida normal, muitas vezes são impedidos por barreiras
impostas pela própria sociedade”, concluiu Valdenor.
A secretária de Educação, Maria Vanda Barreto
destacou a importância do movimento. “Através
de ações de sensibilização como essa caminhada
procuramos mostrar para sociedade que a acessibilidade
é um direito fundamental para as pessoas viverem
em plenitude, poder estudar, ter acesso a lazer
e que todos somos iguais, capazes e temos os mesmos
direitos", disse.
Segundo o IBGE, há 24 milhões de deficientes físicos
no Brasil. O tema acessibilidade vem sendo bastante
debatido na sociedade brasileira, principalmente
após o Decreto Federal Nº 5296, de 02 de dezembro
de 2004. A lei estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade no país.
As leis específicas de acessibilidade proporcionam
a garantia de direitos e atuação do poder público
junto a comunidade. Vale mencionar alguns direitos
dos deficientes, que devem ser conhecidos, observados
e cobrados: o Decreto Federal Nº 5296, estabelece
que todas as instituições públicas e particulares
de uso coletivo devem adequar suas instalações
para permitir o total acesso das pessoas portadoras
de deficiência. Tanto nos entornos, quanto nos
interiores dos prédios, as intervenções devem
seguir as regras de acessibilidade definidas pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
conforme estabelece a NBR N° 9050.
Outra conquista importante é o Passe Livre interestadual,
programa do Governo Federal para o portador de
deficiência física, mental, auditiva ou visual
carente. Ele permite a essas pessoas o direito
de percorrer o país a custo zero, caso a família
possua renda familiar mensal de até um salário
mínimo por pessoa. Estão incluídos o transporte
coletivo interestadual convencional por ônibus,
trem ou barco, e transporte interestadual semi-urbano.
Esse tipo de manifestação social mostra a importância
de se respeitar o direito de todas as pessoas,
independentemente de cor da pele, gênero, idade,
ideologia política ou religiosa, orientação sexual,
condição física, intelectual, sensorial ou social.
Houve
poucas pessoas presentes ao ato público, embora
a questão dos deficientes seja muito importante,
afinal é uma manifestação que representa e cobra
os interesses de mais de dez por cento da sociedade.
Ser cidadão é cumprir com seus deveres e ter seus
direitos garantidos e reconhecidos pelo Estado
através das leis. Conhecer e cobrar direitos sociais
é uma forma de transformar, ser solidário, exercer
sua cidadania, contribuir e melhorar sua comunidade,
sua cidade e o seu país. Nessa perspectiva, espera-se
que nos próximos encontros se façam presentes
setores de relevância social a exemplo de políticos,
legisladores, radialistas, artistas, empresários,
educadores, estudantes, sociólogos, diretores
de escolas e muito mais.
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